Mostrando postagens com marcador gestação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gestação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Instinto alimentar dos bebês inicia no útero materno, afirma estudo


Ao estudarem imagens fetais realizadas mensalmente da 24ª a 36ª semanas de gestação, os cientistas descobriram que os fetos mais jovens estavam mais propensos a tocar suas cabeças e que, conforme se desenvolviam, eles começavam a tocar mais suas bocas. Perto da 36ª semana de gestação, os fetos começaram a abrir a boca antes de tocá-la.

A antecipação de toque é uma habilidade que o recém-nascido utiliza durante a alimentação, afirmou Nadja Reissland, psicóloga da Universidade Durham, na Inglaterra, que relata as descobertas juntamente com seus colegas no periódico Developmental Psychobiology.

"Não podemos afirmar que seja uma precursora da alimentação, mas um de seus elementos", afirmou. "Você precisa realmente abrir a boca para se alimentar"

Os recém-nascidos prematuros talvez não tenham dominado esse conhecimento, afirmou Reissland. O estudo pode fornecer mais informações sobre o que os recém-nascidos prematuros são capazes de fazer e que cuidados especiais eles necessitam.

"Os fetos talvez estejam aprendendo de fato os limites de seu corpo, a percebê-lo pelo tato e a sentir o que é ser uma pessoa dentro do útero", ponderou.

Por UOL Saúde


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A importância da atividade física durante a gravidez



Aparentemente, os dias de irritabilidade, cansaço e oscilações de humor durante a gravidez estão com os dias contados. Um estudo realizado pela Universidade de Western Ontario, no Canadá, revelou que a atividade física melhora o humor das futuras mamães.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores Anca Gaston e Harry desenvolveram um plano de exercícios de quatro semanas para grávidas inativas. Cumprido o prazo, as participantes relataram melhoras significativas em relação ao humor e ao cansaço.

Gaston e Prapavessis partiram do pressuposto de que transtornos típicos do pós-parto, como depressão e ansiedade, na verdade são mais intensos durante a gravidez. O sedentarismo das mães também pode afetar os bebês e gerar problemas como alterações dos níveis de cortisol, comprometimento do desenvolvimento cognitivo e maiores riscos de desenvolver problemas mentais.

A conclusão dos autores reforça a hipótese de que praticar exercícios durante a gravidez proporciona múltiplos benefícios. Além do fortalecimento corporal, a atividade física contribui para uma boa noite de sono. Não é fácil dormir com uma criança dentro da barriga, mas exercícios periódicos deixam a mãe mais cansada e o corpo mais relaxado para que consiga dormir o tempo necessário e recuperar as energias.

Exercícios para grávidas

As gestantes devem realizar atividades físicas que façam bem ao coração, ajudem a manter a flexibilidade do corpo e a controlar o aumento de peso, e que fortaleçam a musculatura. Os exercícios não devem exigir esforços exagerados, que representem um risco tanto para a mulher como para o bebê.

Aldana Donato, formada em cinesiologia pela Universidad del Salvador, ressalta essa necessidade. “As grávidas costumam sentir dores na lombar e ter inchaços nos pés. As atividades físicas fornecem vários benefícios porque as ajudam a relaxar a coluna e aumentam a circulação do sangue”.

Caminhar, por exemplo, é uma das melhores formas de se exercitar nessa fase, porque não gera impacto ou desgaste das articulações e é uma atividade segura. Além disso, não exige um lugar ou preparação especial (somente um bom par de tênis), e é ideal para o bom funcionamento cardiovascular.


Até o quarto mês, quando a barriga começa a aparecer, é aconselhável concentrar parte da atividade física no fortalecimento das costas. “O crescimento da barriga aumenta a curvatura lombar, por isso recomendamos a realização de exercícios para a região pélvica”, explica Donato. Como exercitar as costas? Basta a mulher se deitar de barriga para cima, com os joelhos flexionados, e realizar pequenos movimentos como os mostrados no vídeo abaixo:


Para complementar essas atividades, a ioga e os alongamentos diários são as melhores opções porque trabalham a elasticidade. “O alongamento combinado com exercícios de respiração que aumentem a capacidade torácica, reduzida pelo espaço ocupado pelo bebê, facilitam a circulação, a mobilidade das articulações e a preservação do equilíbrio”, completa Donato.

Por Discovery Mulher

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Reino Unido apoia mulheres a terem parto natural como Kate Middleton


Apenas um dia após o nascimento do bebê real, em 22 de julho, Kate Middleton deixou o hospital rumo ao Palácio de Kensington, sua residência. A  rápida recuperação é uma das vantagens de um parto realizado de maneira natural.  A duquesa havia dado entrada no Hospital St. Mary, em Londres, já em trabalho de parto, por volta das 6h da manhã daquele mesmo dia, acompanhada do marido, o príncipe William. O trabalho de parto durou cerca de 14 horas.  

O parto normal ou vaginal (que pode ter ou não anestesia) de Kate é a rotina no Reino Unido, onde, de acordo com informações do NHS England (National Health Service - Serviço Nacional de Saúde, em tradução literal), o número de cesarianas corresponde a 25% dos casos. Em contraste, no Brasil, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), as cesáreas são maioria nos hospitais privados, com um índice de 84%. No SUS (Sistema Único de Saúde), em 12 anos, o número atingiu quase 40% dos casos –mais que o dobro indicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que é de 15%. 

Os números no Brasil são tão altos que ensejaram a realização do documentário "O Renascimento do Parto" (dirigido por Eduardo Chauvet), que estreou, em 9 de agosto, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e, em setembro, integrará o 6º Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles, nos Estados Unidos.

A produção mostra os riscos das intervenções realizadas nos hospitais. Tudo com base em entrevistas com médicos, obstetras, doulas e informações do Ministério da Saúde. A proposta é fazer um manifesto a favor do parto humanizado –destacando o estreitamento de laços entre mãe e filho nesse tipo de nascimento.

Se, no Brasil, o parto normal precisa ser incentivado, no Reino Unido, é parte de uma política pública de saúde consistente. Lá, médicos e hospitais só adotam a cesárea em casos de muita necessidade.

"Ainda assim, os especialistas concordam que o índice de cirurgias no Reino Unido é alto. Os peritos indicam que uma taxa acima de 15% já significa excesso de cesarianas, o que não beneficia nem as mães, nem os bebês", afirma Jenny Leach, editor do BabyCentre-UK (Babycentre.co.uk), um dos maiores portais de gravidez e maternidade do mundo, com conteúdo clinicamente aprovado.

O processo é o mais humanizado possível. Nos "birth centres" (centros de nascimento), as mães contam com a ajuda de uma "midwife" (espécie de parteira, doula), que acompanha todo o processo. Apesar de servir aos hospitais do NHS, as "midwives" não têm vínculo com o sistema e podem ser contratadas de forma independente.

"Quando uma mulher entra no hospital para dar à luz, ajudamos em todas as necessidades, oferecendo tanto apoio físico quanto psicológico", diz Mervi Jokinen, doula, indicada pelo departamento de saúde do NHS para fornecer informações ao UOL Gravidez e Filhos (em tempo, o NHS é considerado a maior estrutura de saúde em todo o mundo, atendendo um milhão de pacientes a cada 36 horas).

"Existem muitas ajudas para o processo do parto normal, como piscinas de nascimento, tapetes macios etc. Tudo é feito em salas privadas, com iluminação suave para que as mulheres se sintam confortáveis durante o parto. Há também muitas opções para alívio da dor", diz Jenny.

Outro método muito usado é o "Hypnobirthing", técnica americana que ajuda a gestante a vivenciar um parto tranquilo, sem ansiedade e medo –sentimentos que atrapalham o funcionamento do processo. De acordo com Joanne Turner, educadora de pré-natal e especialista em "HypnoBirthing", o momento ideal para fazer as aulas é entre 25 e 29 semanas de gravidez.

Segundo Joanne, as técnicas do "Hypnobirthing" podem ajudar a lidar com o trabalho de parto. "Controlar seus sentimentos por meio da técnica pode ajudar a evitar respostas de estresse e a manter níveis mais altos de oxigênio no corpo, por causa dos métodos de respiração profunda." A técnica também ajuda a reduzir a necessidade de medicamentos para alívio da dor ou para acelerar o trabalho de parto.

Uma cesárea só será feita caso haja alguma complicação. "Esse é o procedimento em todos os hospitais aqui. Se uma mulher dá entrada em uma maternidade querendo fazer uma cesariana, o médico tenta mostrar alternativas e explica todas as possíveis complicações de fazer esse tipo de cirurgia. Eles evitam ao máximo o procedimento", declara Jokinen. 

"Comparada ao parto normal, a cesariana pode ter milhões de complicações a mais. Eu poderia passar o dia inteiro explicando todos os riscos. Mas um dos maiores e mais complicados é a infecção, afinal, o abdômen é aberto e todos os órgãos ficam expostos. É extremamente perigoso. O parto normal diminui bastante esse risco para o bebê e para a mãe", afirma Jokinen.

No sistema do NHS, é preciso de autorização para que a cesariana seja realizada. De acordo com informações da assessoria do sistema de saúde, muitas mulheres optam pelo parto normal depois de aprender mais sobre o que a cirurgia envolve.

Em que situações a cesariana é recomendada no Reino Unido?

- Quando o parto normal pode colocar a mãe ou o bebê em risco;

- Quando o trabalho de parto não progride naturalmente;

- Quando a mãe entra em trabalho de parto prematuro;

- Quando a placenta cobre parte da entrada do útero;

- Quando há alguma infecção viral, como herpes genital;

- Quando o bebê não está corretamente posicionado.

Riscos de uma cesariana

- Infecção do revestimento do útero, conhecido como endometrite, o que pode causar febre, dor no ventre e corrimento vaginal anormal;

- Coágulo de sangue (trombose) nas pernas, o que pode ser perigoso se parte do coágulo quebra e se aloja nos pulmões;

- Excesso de sangramento;

- Dano para a bexiga ou ureter, o que pode exigir uma nova cirurgia;

*Colaborou Natalia Caringi, de Londres

Por UOL

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Porque somos mães... e filhas


Assim que nasceu a mãe que habita em mim, passei a devorar livros sobre o tema. O primeiro eu ganhei quando a ficha sequer tinha caído. A maternidade não passava de uma concentração de hormônio num exame de sangue. Era a “Enciclopédia Larousse da Gravidez”, com fotos intrauterinas, lindas e hiper-realistas, que tornavam aquela descoberta ainda mais inacreditável.


Depois veio “O que esperar quando você está esperando”, o best-seller de ArleneEisenberg, S. E. Hathaway, Heidi Murkoffque virou filme com Rodrigo Santoro e J. Lo. Foram quase 1,6 mil páginas, considerando que ele me acompanhou (ou eu o acompanhei) por duas gravidezes. 


Li ainda “Ioga para gestantes” e “A doula no parto”, da Fadynha, e o interessantíssimo “A cesariana”, do obstetra francês Michel Odent. Defensor do parto natural, ele escreveu um longo ensaio com um quê antropológico para compreender a prevalência das cirurgias em certas culturas, como ocorre no Brasil. 


Folheie muitos outros, abandonei uns tantos pelo caminho. Mas nenhum deles me pegou tão de jeito quanto “A relação mãe e filha”, da psicanalista Malvine Zalcberg. Li, reli e volto a ele de vez em quando. 

Seguramente, qualquer estudante de psicologia principiante deve fazer uma leitura mais refinada do que a minha. Mas a autora é generosa com os leitores. Suas referências buscam situar mesmo aqueles que tiveram um contato superficial com Freud, Lacan,Winnicott, Melanie Klein. Mencionando casos clínicos, o que torna tudo mais compreensível para quem não faz parte das rodas psicanalíticas, ela descontroi e reconstroi essa relação tão delicada. 


De tantas lições, divido duas que me pareceram mais claras e definidoras desse lugar que ocupamos. Ela rechaça a ideia tão comum em nossa sociedade de que um filho completa a mulher ou, melhor dizendo, de que a maternidade é o que nos torna mulheres de fato. É o justo oposto, ela dirá: “Só a mãe que tiver encontrado seu lugar como mulher, prestando-se aos jogos da mascarada e criando-se uma identificação feminina, estará em condições de, além de amar a filha – ‘o amor não é suficiente’, diz Betthelheim –, abrir-lhe o caminho para a criação de uma identidade feminina para si própria. É como e com a mãe que a menina constitui subjetivamente sua feminilidade. (...) A mãe, conciliada com sua condição feminina, aceitará sua filha com um olhar pleno de encorajamento e compensação.” (p. 187, grifos da autora). 

A segunda proposição, me parece, é oportuna para os tempos em que vivemos, quando as avós ocupam um papel importante no cuidado das crianças. Citando Winnicott, que afirma que “para toda mulher, há sempre três mulheres: ela menina, sua mãe e a mãe da mãe”, ela observa que uma mãe-filha “muitas vezes não hesita em oferecer seus filhos à mãe para assegurar de continuar tendo posição importante na vida desta” (p.175). Naturalmente, ela não se opõe à convivência afetuosa entre as avós e suas netas, mas questiona os reais motivos por trás dessa convivência.

O livro trata de muitas outras questões, inclusive daquelas que envolvem o masculino, os meninos, o pai... 

Enfim, são temas para nossa reflexão, nós que somos mães ou filhas.

Por Tatiana Clébicar - colaboradora da Petit Polá no Rio de Janeiro