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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Em livro, economista diz que um drinque por dia na gravidez não faz mal

Beber uma taça de vinho por dia não faz mal nenhum durante o segundo e o terceiro trimestres de gravidez, mas comer peito de peru ou queijo fresco, sim, pode ser prejudicial e deve ser evitado.

As recomendações estão no livro "Expecting Better" (esperando o bebê de uma forma melhor), recém-lançado nos Estados Unidos e escrito por uma economista.

Emily Oster, 33, é professora da Universidade de Chicago e mãe de uma menina de dois anos. Na gravidez, ela se viu perdida entre informações desencontradas de obstetras e procurou estudos que justificassem dogmas como evitar carne crua e beber menos café (veja abaixo).

A economista Emily Oster
Depois de analisar os estudos --no livro, ela cita 285--, concluiu que a gravidez é "um mundo de regras arbitrárias, no qual pesquisas científicas fracas se transformam em sabedoria popular".

Sobre o álcool, Oster afirma que é "muito difícil achar uma boa evidência de que uma quantidade pequena tenha impacto no comportamento ou no QI da criança".

E chama de draconianas as diretrizes oficiais que vetam o álcool, como a do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas. Segundo a entidade, beber pode causar aborto, parto prematuro e síndrome alcoólica fetal, que pode levar a malformações.

Em resposta ao livro, a ONG americana Nofas (Organização Nacional de Síndrome Alcoólica Fetal) publicou nota dizendo que os conselhos de Oster são "nocivos" e que ela não tem qualificação para escrever sobre o tema.

"Eu já esperava essa reação. Mas é importante notar que ainda há muito desacordo sobre o assunto entre médicos", disse Oster à Folha.

"O objetivo do livro não é dizer o que fazer, mas apresentar a evidência científica para que as mulheres possam decidir sozinhas."


CADA UM DIZ UMA COISA

Obstetras brasileiros reconhecem que não há consenso nas recomendações dadas às grávidas. A explicação, segundo Eduardo Fonseca, professor livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP, é que as pesquisas existentes não são conclusivas.

Boa parte dos estudos nessa área é feita em animais e não dá para ter certeza de que o resultado seria o mesmo em humanos, diz Denise Pedreira, do Hospital Samaritano.

"Esses trabalhos não podem ser feitos com pessoas. Não podemos colocar grávidas para fazer coisas possivelmente nocivas. São dilemas que nunca terão uma resposta científica", afirma.

Na falta de evidência, alguns médicos optam por proibir quase tudo. "É melhor pecar por excesso que por falta", diz Renato Sá, presidente da Comissão de Medicina Fetal da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Esse raciocínio é usado para proibir o álcool, já que é impossível estabelecer uma dose segura. "Um drinque que deixa você só alegrinho pode ser um porre imenso para o bebê", completa Sá.

Mas há médicos que não veem problemas no consumo eventual, definido como "uma taça de vinho por semana" por Eduardo Zlotnik, obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein.

RISCOFOBIA

A lista de recomendações de Oster inclui desde não usar hidromassagem quente --pelo risco de malformação no primeiro trimestre-- até evitar a jardinagem, por risco de toxoplasmose.

Para a obstetra Denise Pedreira, as proibições, cada vez maiores, transformam a gravidez em uma prisão. "Você deve se considerar em um estado especial e evitar certas coisas. Mas não achar que não pode fazer nada."

Segundo ela, 90% das malformações no início da gravidez não têm causa definida. "Algumas coisas vão acontecer independentemente do cuidado que você tiver."

EXPECTING BETTER
EDITORA The Penguin Press
PREÇO R$ 25,93 (Kindle)

Por Folha de S. Paulo

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Onde está o Wally?

Férias são para se divertir! Ir para a praia, viajar, visitar museus, parques e, é claro, conhecer um pouquinho mais a sua cidade. Foi pensando nisso, que a livraria local lançou uma campanha para lá de bacana, que estimula as crianças a conhecerem mais o comércio local.

Como?

Através do famoso Wally! Sim, o personagem de livros e cartazes, que, vestido com sua blusa listrada vermelha e branca, é procurado por adultos e crianças, nos mais variados cenários.


A aventura funciona da seguinte forma: na livraria as crianças ganham o seu passaporte do Waldo (nome do Wally aqui nos Estados Unidos). Ele tem 25 quadradinhos, onde cada um pertence a um comércio local.


Em cada uma dessas lojas, tem um Waldo escondido. O objetivo inicial é acha-lo e ganhar um carimbo no passaporte. Mas, o mais importante, é a ideia por trás disso: das crianças ficarem familiarizadas com os locais, onde aprendem o que o açougue vende, a loja de animais, a farmácia etc. Se pararmos para pensar, muitas vezes nossos filhos pequenos nos acompanham em várias lugares, mas com a correria que a vida de mãe é, não apreciamos e muito menos explicamos, a importância daquele local no nosso dia a dia para eles.


E depois de dois dias de muita andança pela cidade, com o passaporte todo carimbado, voltamos na livraria onde as crianças ganharam cartões do Waldo! 


E por fim, com todo essa diversão, segue a promoção dos novos lançamentos desse personagem que pais e filhos curtem juntos! Aqui em casa, adoramos ver quem acha Waldo primeiro e por incrível que pareça, muitas vezes é o Renan, com apenas 3 anos!

Os lançamentos são:

Esse livro tem capa dura e o lançamento está previsto para setembro de 2013.

Where´s Waldo in Hollywood - USD11.86
O segundo lançamento é agora no mês de agosto e já está na minha lista, pois foi feito pensando nas crianças. É uma caixa com 5 livros portáteis e uma lupa! Sim, nada mais legal que uma lupa para ajudar aos pequenos a acharem Waldo. 
The Magnificent Mini Boxed Set - USD13.49

Os pré-lançamentos já estão no site da Barnes & Noble (entrega no Brasil), e as mamães já podem reservar!

Por Paula Aloy - colaboradora da Petit Polá nos Estados Unidos

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Porque somos mães... e filhas


Assim que nasceu a mãe que habita em mim, passei a devorar livros sobre o tema. O primeiro eu ganhei quando a ficha sequer tinha caído. A maternidade não passava de uma concentração de hormônio num exame de sangue. Era a “Enciclopédia Larousse da Gravidez”, com fotos intrauterinas, lindas e hiper-realistas, que tornavam aquela descoberta ainda mais inacreditável.


Depois veio “O que esperar quando você está esperando”, o best-seller de ArleneEisenberg, S. E. Hathaway, Heidi Murkoffque virou filme com Rodrigo Santoro e J. Lo. Foram quase 1,6 mil páginas, considerando que ele me acompanhou (ou eu o acompanhei) por duas gravidezes. 


Li ainda “Ioga para gestantes” e “A doula no parto”, da Fadynha, e o interessantíssimo “A cesariana”, do obstetra francês Michel Odent. Defensor do parto natural, ele escreveu um longo ensaio com um quê antropológico para compreender a prevalência das cirurgias em certas culturas, como ocorre no Brasil. 


Folheie muitos outros, abandonei uns tantos pelo caminho. Mas nenhum deles me pegou tão de jeito quanto “A relação mãe e filha”, da psicanalista Malvine Zalcberg. Li, reli e volto a ele de vez em quando. 

Seguramente, qualquer estudante de psicologia principiante deve fazer uma leitura mais refinada do que a minha. Mas a autora é generosa com os leitores. Suas referências buscam situar mesmo aqueles que tiveram um contato superficial com Freud, Lacan,Winnicott, Melanie Klein. Mencionando casos clínicos, o que torna tudo mais compreensível para quem não faz parte das rodas psicanalíticas, ela descontroi e reconstroi essa relação tão delicada. 


De tantas lições, divido duas que me pareceram mais claras e definidoras desse lugar que ocupamos. Ela rechaça a ideia tão comum em nossa sociedade de que um filho completa a mulher ou, melhor dizendo, de que a maternidade é o que nos torna mulheres de fato. É o justo oposto, ela dirá: “Só a mãe que tiver encontrado seu lugar como mulher, prestando-se aos jogos da mascarada e criando-se uma identificação feminina, estará em condições de, além de amar a filha – ‘o amor não é suficiente’, diz Betthelheim –, abrir-lhe o caminho para a criação de uma identidade feminina para si própria. É como e com a mãe que a menina constitui subjetivamente sua feminilidade. (...) A mãe, conciliada com sua condição feminina, aceitará sua filha com um olhar pleno de encorajamento e compensação.” (p. 187, grifos da autora). 

A segunda proposição, me parece, é oportuna para os tempos em que vivemos, quando as avós ocupam um papel importante no cuidado das crianças. Citando Winnicott, que afirma que “para toda mulher, há sempre três mulheres: ela menina, sua mãe e a mãe da mãe”, ela observa que uma mãe-filha “muitas vezes não hesita em oferecer seus filhos à mãe para assegurar de continuar tendo posição importante na vida desta” (p.175). Naturalmente, ela não se opõe à convivência afetuosa entre as avós e suas netas, mas questiona os reais motivos por trás dessa convivência.

O livro trata de muitas outras questões, inclusive daquelas que envolvem o masculino, os meninos, o pai... 

Enfim, são temas para nossa reflexão, nós que somos mães ou filhas.

Por Tatiana Clébicar - colaboradora da Petit Polá no Rio de Janeiro

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O dia de São Jorge na Espanha


Ontem foi 23 de abril, um dia especial e muito esperado por adultos e crianças na Catalunha: o dia de São Jorge. A tradição é que neste dia, que aqui é considerado o dia dos namorados, os homens dêem uma rosa às mulheres e as mulheres dêem um livro aos homens. Particularmente, este é, sem dúvida, um dos dias que eu mais gosto no ano. O romantismo invade a atmosfera da cidade de Barcelona.

O sentimentos e a tradição se unem para criar um ambiente único em que os livros e as rosas são os verdadeiros protagonistas. Além disso, se celebra o dia do livro. As ruas se enchem de rosas e barracas vendendo livros. Escritores, namorados, estudantes, trabalhadores, todos escapam dos escritórios para comprar sua rosa ou seu livro e dar de presente aos seus amados. Tortas e pães especiais são feitos para este dia. 

Minha filha Alexia estava há semanas preparando um presente para mim. Estava muito emocionada este ano, pois já entende cada vez mais que a festa de "Sant Jordi" é linda e repleta de surpresas: passeios pelas ruas repletas de barraquinhas com presentes em forma de livro e rosas, atuações de teatro que se celebram em quase todas as escolas da Catalunha, etc. Como está começando a ler este ano, compramos para ela seu primeiro conto de São Jorge. Vou compartilhá-lo com vocês, porque é um conto que encanta também aos pequenos, com de dragão, princesa e um cavaleiro que vira herói.

"Conta a lenda que a cidade de Montblanc, perto de Tarragona, vivia atemorizada por um grande dragão que assustava a todos e causava muitos danos à população e aos animais. Para tranquilizar o dragão, os moradores da cidade resolveram lhe dar uma pessoa como comida diariamente. Para isso, a cada dia se realizava um sorteio do qual saía escolhida aquela que deveria ser entregue em sacrifício.

Um dia, o azar bateu à porta da filha do rei, que foi sorteada. Ela era uma mulher jovem e bonita, muito querida pelos habitantes da cidade. A princesa aceitou seu destino. Abandonou a cidade e foi caminhando sem pressa até o grande dragão. Parou alguns instantes para olhar sua cidade, muito triste. De repente, quando menos esperava, apareceu um jovem cavaleiro, montado em um cavalo branco. Quando o viu, a princesa lhe explicou os perigos do dragão, mas o cavaleiro se recusou a abandoná-la e disse que estava ali para salvá-la e salvar a todos os habitantes da cidade.

O cavaleiro, chamado Jorge, montado em seu cavalo branco, lutou contra o dragão e o matou. Do sangue que foi derramado do dragão, nasceu uma bela roseira, da qual São Jorge tirou uma flor e entregou à princesa depois de haver ganhado a batalha." 

E assim Barcelona e as cidades da região vivem um dia encantado todo 23 de abril!

Por Gretel Neves - Colaboradora da Petit Polá na Espanha

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Criando os Leitores de Amanhã


Um dos motivos pelos quais me encantei pela escola das meninas foi a biblioteca. Diferentemente de algumas outras que visitei, essa mantém quase sempre as portas abertas aos alunos e a seus pais. A partir do primeiro ano do Ensino Fundamental, os miúdos podem sozinhos escolher um livro que lhes agrade e tomar um empréstimo. 

Na semana seguinte, como acontece nas boas instituições de ensino e pesquisa de qualquer parte do mundo, o leitor devolve o volume ou, se não houver espera por ele, pode renovar o empréstimo. Esta semana, mais um vez, fiquei surpresa com o título que veio na mochila. "O menino que mordeu Picasso", de Antony Penrose. E mais ainda com a justificativa: "Eu gosto de arte, mamãe..." Lembrei-me de um ensinamento de uma professora de literatura. 

Ela dizia que só um leitor  é capaz de formar outro leitor. E fiquei matutando que, ainda que leia amiúde aos tropeços, um sujeito leitor, uma sujeitinha na verdade, já integra esta família. Em tempos de e-books, pensei em alguns dos  livros que fizeram e fazem parte desse processo de formação, da memória afetiva que partilhamos eu e as meninas. Alguns me levaram de volta à infância, outros me foram gratamente apresentados por uma das duas. Divido com vocês na expectativa de que sugiram as leituras que fazem seus filhos mais felizes. Ah, não custa dizer que a ordem é simplesmente a de chegada nos meus pensamentos caducos...

1. Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato 
2. Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles 
3. A maior flor do mundo, José Saramago (Leia o livro, veja o filme e plante uma flor...)
4. Fonchito e a lua, Mario Vargas Llosa
5. Mico Maneco, Ana Maria Machado 
6. A bolsa amarela, Lygia Bojunga Nunes 
7. Chapeuzinho Amarelo, Chico Buarque 

8. Os bichos que tive, Sylvia Orthof
9. Segredo, Ivan Zigg
10. Mania de explicação, Adriana Falcão 
11. Antologia de poesia brasileira para crianças
12. Brasileirinhos, Lalau e Laurabeatriz
13. O pequeno príncipe, Antonie de Saint-Exupery 
14. O menino que vendia palavras, Ignacio de Loyola Brandão 
15. O gato malhado e a andorinha  sinhá, Jorge Amado
16. Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll
17. Gaspar e Lisa no museu, Anne Gutman e Georg Hallensleben
18. A rua do Marcelo, Ruth Rocha
19. Onde vivem os monstros, Maurice Sendak
20. Isto é Nova York, M. Sasek
21. O diário de Pilar na Amazônia, Flávia Lins e Silva
22. Dez patinhos, Graça Lima (O primeiro que a minha mais velha leu sozinha.)
23. O joelho Juvenal, Ziraldo
24. O artista que pintou um cavalo azul, Eric Carle
25. Seurat e o arco-íris, Caulos
26. Tati é especial, Jean-Claude Alphen
27. Poesia de Fernando Pessoa para todos
28. Para criar passarinho, Bartolomeu Campos de Queiroz
29. As margens da alegria, Guimarães Rosa
30. A arca de Noé, Vinicius de Moraes
31. A Bíblia para crianças 

E vocês, que livros vocês indicam para conquistar os jovens leitores?

Por Tatiana Clébicar - correspondente da Petit Polá